Sentir fluir
Como brisa que inebria.
Sentir vigor
Como corpo em rebeldia.
Sentir amor
Como mundo atemporal.
Sentir correr
Como chuva no quintal.
*Imagem gerada por IA Gemini
Sentir fluir
Como brisa que inebria.
Sentir vigor
Como corpo em rebeldia.
Sentir amor
Como mundo atemporal.
Sentir correr
Como chuva no quintal.
*Imagem gerada por IA Gemini
Pirilampos sapecas
Levados da breca
Escorregam na noite
Fugindo de açoites
de orvalhos
de lua
de estrelas
de amor
Pirilampos sapecas
Pregando peças
de doces
de nuvem
de amanhã
Pirilampos sapecas
Que alegrias me tens
Uma noite que chega
Tu sempre trazes meu bem.
*Imagem: IA Gemini, Nano Banana2
Como doce sussurro
Espelho um olhar terno
Toco corações ansiosos
Alerto esperanças promissoras
Sinto-me como seres de um mundo completo
Voo por meios inusitados
Sem nenhum temor
Sem freios
Disponível e infiel.
*imagem: IA Gemini
De onde crescem os ventos,
Que se transformam em redemoinhos
E devastam qualquer consciência?
Para onde sopram os ventos
Que destoam do real
E afunilam a vontade de ser visto?
Como caber um sinal
Em um tempo que para
Em tempestades de mentiras legítimas?
*imagem gerada por IA Gemini
E se tudo - de tão ermo - te assusta
E o amor - de tão frio - se afasta
E a vida - de tão tênue - te assopra
E se teu corpo - de tão forte - te deixa?
Tantos sinais que te cegam os olhos.
Tanta vida...
que a luta por tê-la, te foge?
Não. Jamais. Ninguém. Ousa.
Celebrar, te cala profundamente os sentidos.
Portanto, a esperança - de tão terca - te abraça.
Quando a vida muda depressa
e o chão parece andar sozinho,
o coração tenta acompanhar,
mas tropeça no próprio ritmo —
como se o mundo tivesse trocado o compasso
sem avisar o corpo.
É quando a mente sussurra baixinho:
“Foi demais para agora.
Preciso de um tempo.”
E esse “tempo” não é fuga:
é um pedido de habeas corpus
contra a sentença do excesso,
um recurso íntimo
antes do colapso virar lei.
E não é fraqueza !
apenas o organismo fazendo o óbvio que a ideia de força proíbe: pedir cuidado.
Como quem segura a mão e diz:
“Vamos mais devagar,
porque eu não fui feito para caber
num calendário que não respeita carne.”
Há dias em que o mundo aperta,
em que o cansaço vira sombra,
em que até respirar parece estudo,
uma prova sem consulta,
um método que cobra resultado
antes de permitir pergunta.
E o mais estranho é isso: não é só você.
Há um ar coletivo empurrando por dentro,
uma ordem silenciosa dizendo:
“Adapte-se. Produza. Sorria.”
E quando você falha, o sistema traduz:
“A falha é sua.”
E aí a dor vira código: F43.2 !
como se nomear fosse conter,
como se diagnosticar fosse explicar,
como se reduzir a sigla
poupasse o que foi vivido.
Mas, mesmo assim,
há um fio de calma esperando —
não como promessa de retorno,
e sim como intervalo onde a vida, por um segundo,
para de exigir desempenho
e permite existência.
Um canto silencioso onde a alma
pode se reorganizar, sim,
mas não como quem volta ao que era:
como quem aceita que algo já mudou de estado,
que certas versões de si ficaram em superposição
e agora precisam escolher um mundo
para habitar sem se rasgar.
Porque adaptar-se não é perder-se
é encarar o paradoxo:
caber de novo dentro da própria vida
sem aceitar, automaticamente,
as medidas reduzidas que te ofereceram.
É aprender a distinguir
o que é cura
do que é anestesia.
O que é pausa
do que é desistência com outro nome.
É negociar com o real
sem assinar o contrato da submissão.
E, quando o tempo fizer seu trabalho,
talvez não volte o passo antigo.
Mas volta o passo possível.
Volta o ar; não como antes,
mas como quem aprendeu a respirar
sem pedir desculpas ao relógio.
Volta a força; não a força do “aguenta”,
e sim a força do “escolhe”:
o que fica, o que sai,
o que não aceita mais.
E a pessoa também.
Não a mesma.
Uma nova partícula,
com o mesmo nome,
mas outra maneira de estar no mundo —
menos obediente ao aperto,
mais fiel ao próprio corpo,
mais inteira por ter atravessado
sem transformar a queda
em culpa.
*imagem gerada por IA