domingo, 9 de agosto de 2026

PIRILAMPOS SAPECAS (2026)

 


Pirilampos sapecas

Levados da breca

Escorregam na noite

Fugindo de açoites

de orvalhos

de lua

de estrelas

de amor


Pirilampos sapecas

Pregando peças

de doces

de nuvem

de amanhã


Pirilampos sapecas

Que alegrias me tens

Uma noite que chega

Tu sempre trazes meu bem.


*Imagem: IA Gemini, Nano Banana2

sexta-feira, 31 de julho de 2026

SILÊNCIOS (2026)

 

Um passo

Um peso

Um tempo

Um ponto


Canto

Encanto

Sussurro

Espanto


Falei?

Calei.

Silencio.

De uma vez.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

DOCE SUSSURRO (2026)


 






Como doce sussurro

Espelho um olhar terno

Toco corações ansiosos

Alerto esperanças promissoras

Sinto-me como seres de um mundo completo

Voo por meios inusitados

Sem nenhum temor

Sem freios

Disponível e infiel.



*imagem: IA Gemini

domingo, 17 de maio de 2026

VERDADES ILEGÍTIMAS (2026)



De onde crescem os ventos,

Que se transformam em redemoinhos

E devastam qualquer consciência?


Para onde sopram os ventos

Que destoam do real

E afunilam a vontade de ser visto?


Como caber um sinal

Em um tempo que para

Em tempestades de mentiras legítimas? 


*imagem gerada por IA Gemini

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A'MOR-TE-ERMA (2026)

 







E se tudo - de tão ermo - te assusta

E o amor - de tão frio - se afasta

E a vida - de tão tênue - te assopra

E se teu corpo - de tão forte - te deixa?


Tantos sinais que te cegam os olhos.

Tanta vida...

 que a luta por tê-la, te foge?


Não. Jamais. Ninguém. Ousa.

Celebrar, te cala profundamente os sentidos.

Portanto, a esperança - de tão terca - te abraça.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

CID-F43.2 (2026)

 

F43.2

Quando a vida muda depressa
e o chão parece andar sozinho,
o coração tenta acompanhar,
mas tropeça no próprio ritmo —
como se o mundo tivesse trocado o compasso
sem avisar o corpo.

É quando a mente sussurra baixinho:
“Foi demais para agora.
Preciso de um tempo.”
E esse “tempo” não é fuga:
é um pedido de habeas corpus
contra a sentença do excesso,
um recurso íntimo
antes do colapso virar lei.

E não é fraqueza !
apenas o organismo fazendo o óbvio que a ideia de força proíbe: pedir cuidado.
Como quem segura a mão e diz:
“Vamos mais devagar,
porque eu não fui feito para caber
num calendário que não respeita carne.”

Há dias em que o mundo aperta,
em que o cansaço vira sombra,
em que até respirar parece estudo,
uma prova sem consulta,
um método que cobra resultado
antes de permitir pergunta.

E o mais estranho é isso: não é só você.
Há um ar coletivo empurrando por dentro,
uma ordem silenciosa dizendo:
“Adapte-se. Produza. Sorria.”
E quando você falha, o sistema traduz:
“A falha é sua.”
E aí a dor vira código: F43.2 ! 

como se nomear fosse conter,
como se diagnosticar fosse explicar,
como se reduzir a sigla
poupasse o que foi vivido.

Mas, mesmo assim,
há um fio de calma esperando —
não como promessa de retorno,
e sim como intervalo onde a vida, por um segundo,
para de exigir desempenho
e permite existência.

Um canto silencioso onde a alma
pode se reorganizar, sim,
mas não como quem volta ao que era:
como quem aceita que algo já mudou de estado,
que certas versões de si ficaram em superposição
e agora precisam escolher um mundo
para habitar sem se rasgar.

Porque adaptar-se não é perder-se 
é encarar o paradoxo:
caber de novo dentro da própria vida
sem aceitar, automaticamente,
as medidas reduzidas que te ofereceram.

É aprender a distinguir
o que é cura
do que é anestesia.
O que é pausa
do que é desistência com outro nome.
É negociar com o real
sem assinar o contrato da submissão.

E, quando o tempo fizer seu trabalho,
talvez não volte o passo antigo.
Mas volta o passo possível.
Volta o ar; não como antes,
mas como quem aprendeu a respirar
sem pedir desculpas ao relógio.

Volta a força; não a força do “aguenta”,
e sim a força do “escolhe”:
o que fica, o que sai,
o que não aceita mais.

E a pessoa também.
Não a mesma.
Uma nova partícula,
com o mesmo nome,
mas outra maneira de estar no mundo —
menos obediente ao aperto,
mais fiel ao próprio corpo,
mais inteira por ter atravessado
sem transformar a queda
em culpa.


*imagem gerada por IA 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PACIENTE (2026)

 










Oh quão paciente é a paciência

Pacientando a paz

Pacificando o indizível


Oh quão paciência tem o paciente

Esperando a paz

Pacificando a sapiência


Oh quanta paz tem a paciência 

Paciente da impaciência

Mortificando a esperança


Imagem: IA Nano Banana (Gemini)