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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

CID-F43.2 (2026)

 

F43.2

Quando a vida muda depressa
e o chão parece andar sozinho,
o coração tenta acompanhar,
mas tropeça no próprio ritmo —
como se o mundo tivesse trocado o compasso
sem avisar o corpo.

É quando a mente sussurra baixinho:
“Foi demais para agora.
Preciso de um tempo.”
E esse “tempo” não é fuga:
é um pedido de habeas corpus
contra a sentença do excesso,
um recurso íntimo
antes do colapso virar lei.

E não é fraqueza !
apenas o organismo fazendo o óbvio que a ideia de força proíbe: pedir cuidado.
Como quem segura a mão e diz:
“Vamos mais devagar,
porque eu não fui feito para caber
num calendário que não respeita carne.”

Há dias em que o mundo aperta,
em que o cansaço vira sombra,
em que até respirar parece estudo,
uma prova sem consulta,
um método que cobra resultado
antes de permitir pergunta.

E o mais estranho é isso: não é só você.
Há um ar coletivo empurrando por dentro,
uma ordem silenciosa dizendo:
“Adapte-se. Produza. Sorria.”
E quando você falha, o sistema traduz:
“A falha é sua.”
E aí a dor vira código: F43.2 ! 

como se nomear fosse conter,
como se diagnosticar fosse explicar,
como se reduzir a sigla
poupasse o que foi vivido.

Mas, mesmo assim,
há um fio de calma esperando —
não como promessa de retorno,
e sim como intervalo onde a vida, por um segundo,
para de exigir desempenho
e permite existência.

Um canto silencioso onde a alma
pode se reorganizar, sim,
mas não como quem volta ao que era:
como quem aceita que algo já mudou de estado,
que certas versões de si ficaram em superposição
e agora precisam escolher um mundo
para habitar sem se rasgar.

Porque adaptar-se não é perder-se 
é encarar o paradoxo:
caber de novo dentro da própria vida
sem aceitar, automaticamente,
as medidas reduzidas que te ofereceram.

É aprender a distinguir
o que é cura
do que é anestesia.
O que é pausa
do que é desistência com outro nome.
É negociar com o real
sem assinar o contrato da submissão.

E, quando o tempo fizer seu trabalho,
talvez não volte o passo antigo.
Mas volta o passo possível.
Volta o ar; não como antes,
mas como quem aprendeu a respirar
sem pedir desculpas ao relógio.

Volta a força; não a força do “aguenta”,
e sim a força do “escolhe”:
o que fica, o que sai,
o que não aceita mais.

E a pessoa também.
Não a mesma.
Uma nova partícula,
com o mesmo nome,
mas outra maneira de estar no mundo —
menos obediente ao aperto,
mais fiel ao próprio corpo,
mais inteira por ter atravessado
sem transformar a queda
em culpa.


*imagem gerada por IA 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

2026 ! Ano e Portal!








Que venha incerto quanto necessário,

como o estrondo suave anunciando boa nova

de algo que desperta antes de ter nome.

Que a incerteza seja o território onde você descobre

que também sabe caminhar no escuro,

e que o desconhecido, às vezes,

é só o futuro pedindo passagem

erguendo-se como um portal.

Que seja criativo quanto possível,

como no gesto mais raro: o de ousar existir de outro jeito.

Que ideias cheguem como relâmpagos mansos,

clareando o que parecia impossível,

e que você encontre, no meio do caos,

um fio de ouro que só você enxerga.

E que seja íntegro quanto indispensável,

como uma força antiga, que rompe com o impostor,

que mantém o coração alinhado ao que importa.

Que sua verdade seja espada e abrigo,

que sua ética seja chão firme mesmo quando o mundo treme,

e que você permaneça inteiro no exato ponto onde muitos se perdem.

Que 2026 não seja apenas vivido,

mas atravessado por alegrias,

como quem passa por uma tempestade

e sai do outro lado com o olhar mais vasto

e a alma mais sua. Sem derreter.

 

*imagem IA: Nano Banana

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Mendacidades Tartufistas* (2025)

 


Vestem-se de luz, 

mas exalam enxofre. 

Juram por causas que nunca abraçaram, 

e pregam afetos que jamais sentiram.

São os doutores do vazio, 

os mestres da sinecura, 

com diplomas pendurados em paredes estéreis 

e corações blindados por verniz teórico.

Fazem da mentira um método, 

do fingimento, uma tese. 

E entre colóquios e likes, 

canonizam a própria irrelevância.

Chamam de empatia o que é marketing, 

de inclusão o que é autopromoção. 

Mas entre os bastidores, 

são especialistas em excluir com elegância.

Virtuosos de ocasião, 

pregadores de afeto sob demanda, 

vendem compaixão em embalagens recicláveis 

e compram prestígio com jargões e palmas.

Que se rasgue o véu, 

que se quebre o script,

 porque há verdades demais 

sufocadas sob esse este espelho de pseudo-virtudes.


*imagem e revisão produzida por IA Co-Pilot (2025)

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

LIVRE (2025)

 











Logo penso que em um dia, tudo passa

Ignoro se anjos ou demônios sopram ao revés

Vejo um futuro que não me assombra; ao contrário, me acolhe

Resistindo aos dias em que não me escuto

Esperando a suave brisa de um beijo.


Lentamente

Insisto

Veementemente

Revelar

Esperança 


*imagem produzida por IA CoPilot, 2025

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Linda Menina (2025)

*magem gerada IA-FluxPro

Linda menina 

sozinha

quietinha


Dormindo

em nuvens

em planos

em sonhos


Andando

no céu

na lua

no rio


Vivendo

o dia

o sol

ao léu


Linda menina

Tão pura

Tão mel 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Pressão e o Tempo (2025)

 

              *imagem produzida por IA-CoPilot, 2025.

Sobre mim a pressão do "tempo"

Esse tempo que não existe.

Esse tempo que é tempo do nada.

Esse tempo que é compromisso do lugar nenhum.

Do peso do inexistente

Do tempo para algum propósito

Que é o propósito de não ter tempo


Sobre mim a pressão do nada

Do inexistente que não caminha

Da vida que só termina

Nos ponteiros de um relógio

Que faz um tic-tac analógico

Que faz um nada astral

Que conta o indizível


Sobre mim a pressão

De ver que nada está realizado

Na mente do que foi construído

No corpo que envelhece

E pulsa pelo que não está feito.

Oh tempo do tempo que tem no tempo seu próprio tempo!

O tempo do não-ter-jeito...

domingo, 23 de julho de 2023

UNIR-VOS (2023)

 Único ser que se forma

Na calada das dores que afloram

Iras contidas da colonização de mentes (dementes?)

Razões que assombram, mas brilham na Alma

(-)

Vamos?

Ontem,

Sobra.


*composto durante o evento Mormaço Cultural, Porto Velho - RO. Pequenas alterações em relação ao original.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

DorDó (2019)

Dor.
Dó.
Dor.
Dó.
Dor.
Dó.
Dor.Dó.Dor.Dó.Dor.Dó.Dor.Dó.Dor.Dó
Dó.Dor.Dó.Dor.Dó.Dor.Dó.Dor.Dó.Dor
Imerecido.
Mer.ci.Dó.Dor
Merecida.
Dor.
Dó.
Dor.
Dó.
Dor dura
Dó nua


*in memorian por 30 de agosto de 2019. Que dó.Imerecida. Tanta dor.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Putresceína (2018)

Toque o meu tempo
Desfigure-me no suor
Transite-me no sentimento
Que embale minha dor

Ande sobre o vidro ou sobre o fogo
Percorra-me ante tanto dissabor
Mate-me no prazer ou na loucura
De contar os dias, os anos sem valor

Ó resto humano escorregadio
Batalha-me o cérebro, o coração, o pavor!
Mande-me luz ou fogo sem cor

Ó condescendente omissão da existência
Raspa-me os ossos diante do assombro permanente
Ó imponderável, arrasta-me nas stigmatas do presente.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Perverso (2018)

Como seremos tão maus?
Como seremos tão bons?

Como podemos ter olhos
Que só envolvem os intestinos do mundo...

e

Como seremos tão maus,
Voltados à libido do ódio

Quanta insanidade meu Deus !
Voltados à razão pura do pecado

Tão capitais são os pecados.
Tão adorados pelo odiador.

Como alguém é tão incompleto?
Realizado no Ode à dor!

Tão mau. Tão putrefado.
Tão leviano... Como pode ser isto, Ó Senhor ?

terça-feira, 3 de abril de 2012

Bir Sanattir

O que acontecerá
Se eu parar de me dar
E se quando gostar...  bir sanattır
E se tornara uma forma de ir

De grande amizade se trata o prazer
Ir e vir, sem ter medo, recorrer?
O que acontecerá
Se eu parar de temer?

bir sanattir
é saber fugir.