Um passo
Um peso
Um tempo
Um ponto
Canto
Encanto
Sussurro
Espanto
Falei?
Calei.
Silencio.
De uma vez.
Como doce sussurro
Espelho um olhar terno
Toco corações ansiosos
Alerto esperanças promissoras
Sinto-me como seres de um mundo completo
Voo por meios inusitados
Sem nenhum temor
Sem freios
Disponível e infiel.
*imagem: IA Gemini
De onde crescem os ventos,
Que se transformam em redemoinhos
E devastam qualquer consciência?
Para onde sopram os ventos
Que destoam do real
E afunilam a vontade de ser visto?
Como caber um sinal
Em um tempo que para
Em tempestades de mentiras legítimas?
*imagem gerada por IA Gemini
E se tudo - de tão ermo - te assusta
E o amor - de tão frio - se afasta
E a vida - de tão tênue - te assopra
E se teu corpo - de tão forte - te deixa?
Tantos sinais que te cegam os olhos.
Tanta vida...
que a luta por tê-la, te foge?
Não. Jamais. Ninguém. Ousa.
Celebrar, te cala profundamente os sentidos.
Portanto, a esperança - de tão terca - te abraça.
Quando a vida muda depressa
e o chão parece andar sozinho,
o coração tenta acompanhar,
mas tropeça no próprio ritmo —
como se o mundo tivesse trocado o compasso
sem avisar o corpo.
É quando a mente sussurra baixinho:
“Foi demais para agora.
Preciso de um tempo.”
E esse “tempo” não é fuga:
é um pedido de habeas corpus
contra a sentença do excesso,
um recurso íntimo
antes do colapso virar lei.
E não é fraqueza !
apenas o organismo fazendo o óbvio que a ideia de força proíbe: pedir cuidado.
Como quem segura a mão e diz:
“Vamos mais devagar,
porque eu não fui feito para caber
num calendário que não respeita carne.”
Há dias em que o mundo aperta,
em que o cansaço vira sombra,
em que até respirar parece estudo,
uma prova sem consulta,
um método que cobra resultado
antes de permitir pergunta.
E o mais estranho é isso: não é só você.
Há um ar coletivo empurrando por dentro,
uma ordem silenciosa dizendo:
“Adapte-se. Produza. Sorria.”
E quando você falha, o sistema traduz:
“A falha é sua.”
E aí a dor vira código: F43.2 !
como se nomear fosse conter,
como se diagnosticar fosse explicar,
como se reduzir a sigla
poupasse o que foi vivido.
Mas, mesmo assim,
há um fio de calma esperando —
não como promessa de retorno,
e sim como intervalo onde a vida, por um segundo,
para de exigir desempenho
e permite existência.
Um canto silencioso onde a alma
pode se reorganizar, sim,
mas não como quem volta ao que era:
como quem aceita que algo já mudou de estado,
que certas versões de si ficaram em superposição
e agora precisam escolher um mundo
para habitar sem se rasgar.
Porque adaptar-se não é perder-se
é encarar o paradoxo:
caber de novo dentro da própria vida
sem aceitar, automaticamente,
as medidas reduzidas que te ofereceram.
É aprender a distinguir
o que é cura
do que é anestesia.
O que é pausa
do que é desistência com outro nome.
É negociar com o real
sem assinar o contrato da submissão.
E, quando o tempo fizer seu trabalho,
talvez não volte o passo antigo.
Mas volta o passo possível.
Volta o ar; não como antes,
mas como quem aprendeu a respirar
sem pedir desculpas ao relógio.
Volta a força; não a força do “aguenta”,
e sim a força do “escolhe”:
o que fica, o que sai,
o que não aceita mais.
E a pessoa também.
Não a mesma.
Uma nova partícula,
com o mesmo nome,
mas outra maneira de estar no mundo —
menos obediente ao aperto,
mais fiel ao próprio corpo,
mais inteira por ter atravessado
sem transformar a queda
em culpa.
*imagem gerada por IA
Que venha incerto quanto necessário,
como o estrondo suave anunciando boa nova
de algo que desperta antes de ter nome.
Que a incerteza seja o território onde você descobre
que também sabe caminhar no escuro,
e que o desconhecido, às vezes,
é só o futuro pedindo passagem
erguendo-se como um portal.
Que seja criativo quanto possível,
como no gesto mais raro: o de ousar existir de outro jeito.
Que ideias cheguem como relâmpagos mansos,
clareando o que parecia impossível,
e que você encontre, no meio do caos,
um fio de ouro que só você enxerga.
E que seja íntegro quanto indispensável,
como uma força antiga, que rompe com o impostor,
que mantém o coração alinhado ao que importa.
Que sua verdade seja espada e abrigo,
que sua ética seja chão firme mesmo quando o mundo treme,
e que você permaneça inteiro no exato ponto onde muitos se
perdem.
Que 2026 não seja apenas vivido,
mas atravessado por alegrias,
como quem passa por uma tempestade
e sai do outro lado com o olhar mais vasto
e a alma mais sua. Sem derreter.
Vestem-se de luz,
mas exalam enxofre.
Juram por causas que nunca abraçaram,
e pregam afetos que jamais sentiram.
São os doutores do vazio,
os mestres da sinecura,
com diplomas pendurados em paredes estéreis
e corações blindados por verniz teórico.
Fazem da mentira um método,
do fingimento, uma tese.
E entre colóquios e likes,
canonizam a própria irrelevância.
Chamam de empatia o que é marketing,
de inclusão o que é autopromoção.
Mas entre os bastidores,
são especialistas em excluir com elegância.
Virtuosos de ocasião,
pregadores de afeto sob demanda,
vendem compaixão em embalagens recicláveis
e compram prestígio com jargões e palmas.
Que se rasgue o véu,
que se quebre o script,
porque há verdades demais
sufocadas sob esse este espelho de pseudo-virtudes.
*imagem e revisão produzida por IA Co-Pilot (2025)
Logo penso que em um dia, tudo passa
Ignoro se anjos ou demônios sopram ao revés
Vejo um futuro que não me assombra; ao contrário, me acolhe
Resistindo aos dias em que não me escuto
Esperando a suave brisa de um beijo.
Lentamente
Insisto
Veementemente
Revelar
Esperança
*imagem produzida por IA CoPilot, 2025
*magem gerada IA-FluxPro
Linda meninasozinha
quietinha
Dormindo
em nuvens
em planos
em sonhos
Andando
no céu
na lua
no rio
Vivendo
o dia
o sol
ao léu
Linda menina
Tão pura
Tão mel
*imagem produzida por IA-CoPilot, 2025.
Sobre mim a pressão do "tempo"
Esse tempo que não existe.
Esse tempo que é tempo do nada.
Esse tempo que é compromisso do lugar nenhum.
Do peso do inexistente
Do tempo para algum propósito
Que é o propósito de não ter tempo
Sobre mim a pressão do nada
Do inexistente que não caminha
Da vida que só termina
Nos ponteiros de um relógio
Que faz um tic-tac analógico
Que faz um nada astral
Que conta o indizível
Sobre mim a pressão
De ver que nada está realizado
Na mente do que foi construído
No corpo que envelhece
E pulsa pelo que não está feito.
Oh tempo do tempo que tem no tempo seu próprio tempo!
O tempo do não-ter-jeito...
Estou aqui.
Ainda.
Pelas mulheres de maio.
Pelos homens de outono.
Pela honestidade da luta.
Ainda estou aqui, tal qual estive "Logo Ali"
porque é ali que ela mora.
Bem pertinho da nossa cegueira.
Não tenho o tamanho de um prêmio.
Tenho a esperança de um Porto
Tenho o cultivo de um horto.
Tenho a liberdade da arte...
A-Grael do humano.
Suspirando em um Monte, numa estação de histórias...
subindo as Torres... traduzindo livros
De um filho que, após anos, documentou um pai.
Não desejo o prêmio, por eles.
Celebro a vida de poder ser povo.
Celebro o momento de ser eu mesma.
E no fim de uma memória, contemplar a História.
Recusar desaparecer.
Ser serva do presente.
E me fazer contente.
Quando o indizível, torna-me visível.
(*sobre a indicação ao Oscar 2025)
Único ser que se forma
Na calada das dores que afloram
Iras contidas da colonização de mentes (dementes?)
Razões que assombram, mas brilham na Alma
(-)
Vamos?
Ontem,
Sobra.
*composto durante o evento Mormaço Cultural, Porto Velho - RO. Pequenas alterações em relação ao original.